terça-feira, 6 de janeiro de 2009

"MAYSA": PROMESSA DE BOA MINISSÉRIE

Antes da noite desta segunda-feira, tudo o que sabia - ou melhor, lembrava - de Maysa era uma colagem de palavras, tiradas de histórias contadas pelo meu pai somadas a um pouco do que já havia lido sobre ela. Algo mais ou menos assim: cantora+olhos lindos e tristes+charmosa+depressiva+morte precoce+rica+Matarazzo+produzida por/namorada de Ronaldo Bôscoli. Conhecia também o vozeiraço, presente no único CD que tenho dela. E além de tudo isso, sabia que sua vida tinha uma certa aura de mistério. Tudo isso junto fez aguçar minha curiosidade em relação à estréia da minissérie sobre sua vida, e lá fui eu conferi-la.





Não me arrependi. Gostei de cada minuto do primeiro episódio de "Maysa", história de uma mulher, que, segundo o perfil apresentado pelo capítulo inicial, era tão talentosa quanto vaidosa, desregrada, impetuosa, decidida e nada, nada fácil; e por isso tudo, interessante demais.

Posso destacar a atuação dos atores, quase todos desconhecidos do público televisivo - bela sacada -, o capricho na reconstituição de época, a ótima fotografia e até o áudio, que até me pareceu ter tido um tratamento vintage mesmo. Mas o que não sai da minha cabeça mesmo é a cena da morte de Maysa.

A sequência que mostra os últimos momentos da cantora sobre a ponte Rio-Niterói é brilhante. A edição, o texto, a frieza e o susto com que as palavras dela são bruscamente interrompidas pelo impacto da Brasília no canteiro. Os cacos de vidro voando, a cara cortada, a tomada de cima, o rosto sangrento sorrindo antes do fim. E saber que tal cena - assim como toda a série, mas especialmente essa passagem - foi dirigida por ninguém menos do que o filho dela, Jayme Monjardim, me impressiona. Imagine o que é ser responsável por fazer a tomada da morte brutal da própria mãe? Eu prefiro nem tentar, mas a coragem valeu.

Eu amo TV, e por achar brutal a superioridade da programação dos canais pagos, gosto bastante quando uma atração de emissora aberta me agrada desse jeito. Não sei se vou me comprometer a acompanhar "Maysa", mas quero. Quem conseguir, pelo que vi hoje, sairá recompensado com uma bela história. E eis que a Globo enfim acerta na história de uma mulher de olhos de cigana oblíqua e dissimulada...

3 comentários:

Ricardo Rente disse...

Peguei só algumas cenas e também fiquei impressionado. Parecia filme! Pena que a maioria desses luxos ficam só pros primeiros capítulos. Seria bom que continuasse até o fim.
A abertura também ficou muito legal e mostrar a morte dela no início da série é um lance que eu gosto muito. ;)

Kaká disse...

Eu também gostei, bem feita. Achei a narrativa não linear muito interessante, um vai e vem o tempo todo. Confesso que só não curto aquelas músicas de fossa, mesmo com a voz bonita da Maysa.

Matheus Rufino disse...

Carlão, sério, vc é surpreendente cara. Fiquei com uma super expectativa com essa minisérie também, por causa das promos e tudo mais. O marketing foi super bem feito as imagens usadas na edição das propragandas passavam uma imagem de uma produção super bem feita e tudo mais, até pensei a, primeira vez que vi, que se tratava de algo internacional, e tinha o fator da história bem interessante tb. Mas ai veio a estréia e foi uma frustração só, a minha opinião sobre a qualidade técnica da produção continua a mesma, uma reconstituição muito bem feita e tals, tirando o fato de que eles não conseguiram envelhercer/rejuvenescer muito bem alguns personagens e a fotografia tb que em algumas partes parecia extremamente bem feita e em outras muito problemática, não sei se é por que tava sendo exibido em HD e minha tv é de pobre...
Agora o que realmente me incomodou foram as atuações e o texto, o atores tinham falas muito marcadas e na maioria das vezes pareciam que estavam lendo o texto que achei bem ruim, fora as tomadas que eram extremamente óbvias e sacais.
Efim, assim como vi o primeiro epi com extrema boa vontade, verei pelo menos mais uns tres pra ver se a série melhora, mas a primeira impressão que tive é que foram um montão de dinheiro e uma boa história desperdiçados.
P.S. A música incessante tb me incomodou.

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