Nos últimos dias, Rivers Cuomo deu motivos de sobra para que seus fãs embaçassem seus oclinhos de aros grossos de tanta comoção: o Weezer anunciou que vai fazer um cruzeiro Miami-Cozumel - sim, ao melhor estilo Roberto Carlos. Será em janeiro, e com convidados nobres, como Dinosaur Jr. e Sebadoh. Na prática, um festival em alto mar.
No repertório dos anfitriões, as músicas do Blue Album e do Pinkerton - o discos realmente espetaculares da banda -, B-sides e favoritas dos fãs. Tá tudo no cartazinho ao lado.
Quando pude cogitar que essa iniciativa seria do tipo uma-vez-na-vida-outra-na-morte, descobri que o Weezer vai fazer o show Blue+Pinkerton em Seattle no dia 19 de agosto - evento da batizada The Memories Tour.
The Memories Tour. Não é sugestivo: é direto e reto. Turnê revisionista, e das que olham beeem pra trás, e ainda por cima pulando uma parte do trajeto. Corta a cena, e eu me lembro da franca decadência da banda em termos sonoros - sim, o "sonoro" é necessário porque o clipe de Pork & Beans é um lampejo de criatividade - e, mais recentemente, da constrangedora participação de Cuomo no constrangedor clipe para a constrangedora música de um tal B.O.B., cujo link me recuso a jogar aqui. E corta de novo para The Memories Tour.
É isso aí: o Weezer chegou a conclusão de que é melhor requentar o velho bom do que mergulhar no novo ruim. Tá assumindo sua porção travelling jukebox numa boa, na humildade, na coragem. E antes que você, que embaçou os tais oclinhos, pense que eu estou sacaneando o grupo, eu pergunto: essa iniciativa necessariamente é ruim?
Não. Não quando se tem discos como The Blue Album e Pinkerton na bagagem. Álbuns que, de tão incríveis, podem tranquilamente explicar boa parte da frustração gerada pelo Weezer em muita gente: nos acostumaram a esperar muito do grupo. Aí veio o Green Album, disco de bons momentos, e o resto todos nós sabemos; e muitos, como eu, fazem questão de esquecer - pelo jeito, o próprio Weezer, ao parecer buscar na dupla que o notabilizou a sobrevida, o reencontro com a relevância. E se a criatividade está ausente nessa iniciativa, certamente ninguém vai pensar nisso quando o couro estiver comendo em todas aquelas músicas.
Assim, nessa vibe de revival, cruzeiro etc., me lembro imediatamente de um certo país que é uma mãe, um verdadeiro paraíso para bandas em turnês de releitura. Né? Paquetás à parte, não tenho dúvida de que, se os agentes da banda fizerem minimamente o dever de casa, o Weezer já, já invade a nossa praia - e isso sem precisar de Medina nenhum. Leva fé, fã ardoroso: pode embarcar nessa que é a certa.
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terça-feira, 19 de julho de 2011
domingo, 25 de maio de 2008
Weezer celebra hypes do YouTube
Outro dia mesmo aqui no blog eu falei que "Pork and Beans", single do disco novo do Weezer, era fraquinho. Mas não posso deixar de me render ao clipe feito para a música:
Dirigido por Matthew Cullen, o sensacional vídeo é uma compilação de referências/paródias a sucessos do YouTube, como o esquilo dramático, o experimento envolvendo Mentos e Coca-Cola, o afro ninja...
"Pork and Beans", o clipe, é sem exagero uma obra-prima do tempo dos virais que também já se tornou um exemplo da espécie - segundo o YouTube, o clipe já foi visto 2.304.383 vezes. Merece!
E quem quiser dizer quantas referências aos virais do YouTube encontrou no clipe é só usar os comentários...
Dirigido por Matthew Cullen, o sensacional vídeo é uma compilação de referências/paródias a sucessos do YouTube, como o esquilo dramático, o experimento envolvendo Mentos e Coca-Cola, o afro ninja...
"Pork and Beans", o clipe, é sem exagero uma obra-prima do tempo dos virais que também já se tornou um exemplo da espécie - segundo o YouTube, o clipe já foi visto 2.304.383 vezes. Merece!
E quem quiser dizer quantas referências aos virais do YouTube encontrou no clipe é só usar os comentários...
quarta-feira, 30 de abril de 2008
A majestade nua do Weezer
E eu outro dia descobri que o Weezer tá com álbum no forno e já dispôs o primeiro single, "Pork & Beans", disponível no site oficial deles. E aí?
E aí que a música é legal. E só. Fosse qualquer outra bandeca fazendo, muita gente nem iria dar atenção. Mas é o Weezer. O Weeeeeeeeezer. Aí então a coisa muda de figura, a música vira obra-prima, e para alguns um quase-novo-segredo-da-Virgem-Maria.

Bom, seja como músico, seja como ouvinte, eu sempre odiei esse comportamento de se gostar da banda e, conseqüentemente, adorar toda e qualquer coisa que ela faça. Para mim, isso significa simplesmente jogar o critério no lixo, pois o ideal seria o contrário: curtir a música e, assim, gostar do artista. Afinal, o que não é o artista se não o que ele faz?
É. Mas não é assim que a banda toca - sem intenção de trocadilho, juro. Há grupos que atingem um patamar perigosíssimo, uma zona de segurança em que, uma vez que se está nela, seu público compra toda e qualquer música lançada como a grande sensação do momento. Boa parte dos fãs nem se importam com o que estão ouvindo, mas sim com estar ouvindo. Ruim para eles, pior ainda para o grupo-objeto de adoração, que periga adotar uma auto-indulgência que lhes permite fazer o que quiser, já que, sofrível ou não, sua música será venerada - e ai de quem não gostar.
Me lembro da fábula da roupa nova do rei. Resumidamente, é o seguinte: sua Majestade de um reino qualquer resolveu chamar dois tecelões que se proclamavam os melhores já existentes para fazer sua nova roupa, a ser usada em um desfile. Mas os caras eram uns trapaceiros, e fingiam estar trabalhando com o mais fino, resistente, belo e etéreo dos tecidos, quando na verdade, estavam costurando o ar. Com medo de se passar por tolo, o rei - e, por tabela, seus cortesãos - julgaram ser lindo o novo tecido. Pois bem: o rei desfilou com a "roupa", sendo admirado por todos os que lhe cercavam, até que uma criança, em sua inocência, exclamou: "O rei está nu!"; e só então o dito cujo se deu conta do ridículo.
Mas falemos de Weezer. Como disse, "Pork & Beans" é legalzinha - com direito até a uma citação ao produtor Timbaland, no trecho "Timbaland knows the way/ To reach the top of the charts/ Maybe if I Work with him/ I can perfect the art" ("Timbaland sabe o caminho/ Para se atingir o topo das paradas/ Talvez se eu trabalhar com ele/ Eu possa aperfeiçoar esse dom") -, mas não passa disso. E olha que não estou nem comparando com o que a banda já mostrou ser capaz de produzir... e é aí que está o problema.
O lance é que, em se tratando do Weezer, as pessoas ouvem o novo saudando o velho. Em outras palavras, "Pork & Beans" não será venerada pelos fãs da banda por conta de "Pork & Beans", mas sim pelo passado do grupo, brilhantemente construído tanto no disco de estréia da banda - o epônimo e famoso "álbum azul" - como no menos ensolarado e ótimo "Pinkerton".
Falem o que quiser, mas para mim, desde "Maladroit", o Weezer é uma banda que se aplaude pelo que fez ontem, não pelo que faz hoje. Hoje, Rivers Cuomo e seus companheiros são como o roqueiro velho que, apesar da voz falha e dos tropeços, a gente saúda por conta do histórico da obra. Que nem se faz com os Romários da vida, sabe?
Tomara que um dia eu volte a aplaudir o Weezer pelo novo. Assim, me sinto mais justo comigo mesmo. Mas ao ouvir "Pork & Beans", não adianta: por mais que ainda esfregue os olhos, vejo que a majestade ainda precisa de roupas.
E aí que a música é legal. E só. Fosse qualquer outra bandeca fazendo, muita gente nem iria dar atenção. Mas é o Weezer. O Weeeeeeeeezer. Aí então a coisa muda de figura, a música vira obra-prima, e para alguns um quase-novo-segredo-da-Virgem-Maria.

Bom, seja como músico, seja como ouvinte, eu sempre odiei esse comportamento de se gostar da banda e, conseqüentemente, adorar toda e qualquer coisa que ela faça. Para mim, isso significa simplesmente jogar o critério no lixo, pois o ideal seria o contrário: curtir a música e, assim, gostar do artista. Afinal, o que não é o artista se não o que ele faz?
É. Mas não é assim que a banda toca - sem intenção de trocadilho, juro. Há grupos que atingem um patamar perigosíssimo, uma zona de segurança em que, uma vez que se está nela, seu público compra toda e qualquer música lançada como a grande sensação do momento. Boa parte dos fãs nem se importam com o que estão ouvindo, mas sim com estar ouvindo. Ruim para eles, pior ainda para o grupo-objeto de adoração, que periga adotar uma auto-indulgência que lhes permite fazer o que quiser, já que, sofrível ou não, sua música será venerada - e ai de quem não gostar.
Me lembro da fábula da roupa nova do rei. Resumidamente, é o seguinte: sua Majestade de um reino qualquer resolveu chamar dois tecelões que se proclamavam os melhores já existentes para fazer sua nova roupa, a ser usada em um desfile. Mas os caras eram uns trapaceiros, e fingiam estar trabalhando com o mais fino, resistente, belo e etéreo dos tecidos, quando na verdade, estavam costurando o ar. Com medo de se passar por tolo, o rei - e, por tabela, seus cortesãos - julgaram ser lindo o novo tecido. Pois bem: o rei desfilou com a "roupa", sendo admirado por todos os que lhe cercavam, até que uma criança, em sua inocência, exclamou: "O rei está nu!"; e só então o dito cujo se deu conta do ridículo.
Mas falemos de Weezer. Como disse, "Pork & Beans" é legalzinha - com direito até a uma citação ao produtor Timbaland, no trecho "Timbaland knows the way/ To reach the top of the charts/ Maybe if I Work with him/ I can perfect the art" ("Timbaland sabe o caminho/ Para se atingir o topo das paradas/ Talvez se eu trabalhar com ele/ Eu possa aperfeiçoar esse dom") -, mas não passa disso. E olha que não estou nem comparando com o que a banda já mostrou ser capaz de produzir... e é aí que está o problema.
O lance é que, em se tratando do Weezer, as pessoas ouvem o novo saudando o velho. Em outras palavras, "Pork & Beans" não será venerada pelos fãs da banda por conta de "Pork & Beans", mas sim pelo passado do grupo, brilhantemente construído tanto no disco de estréia da banda - o epônimo e famoso "álbum azul" - como no menos ensolarado e ótimo "Pinkerton".
Falem o que quiser, mas para mim, desde "Maladroit", o Weezer é uma banda que se aplaude pelo que fez ontem, não pelo que faz hoje. Hoje, Rivers Cuomo e seus companheiros são como o roqueiro velho que, apesar da voz falha e dos tropeços, a gente saúda por conta do histórico da obra. Que nem se faz com os Romários da vida, sabe?
Tomara que um dia eu volte a aplaudir o Weezer pelo novo. Assim, me sinto mais justo comigo mesmo. Mas ao ouvir "Pork & Beans", não adianta: por mais que ainda esfregue os olhos, vejo que a majestade ainda precisa de roupas.
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