terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

GIRLS E O FAZ DE CONTA DAS JOVENS ADULTAS

Aqui em casa a gente acompanha algumas séries. Eu, que já trabalhei com isso e até tive um blog da minha favorita de todos os tempos - "Lost" -, hoje ando bem mais fraco no número de seriados que acompanho. Hoje, além de "Homeland" e "Mad Men", só vejo "Girls". E nem rola essa desculpa de que "é só porque minha mulher vê", não: eu acho bacana. É mesmo, mas é somente bacana. E "bacana", pelo que já pude perceber por amigas, colegas e conhecidas, é pouco para o tanto que as mulheres gostam, ou costumam gostar.


















Não é uma série de trama, mas de roteiro; e, na minha humilde opinião, pode-se apenas dizer que é superestimado. Porém, é errado julgar "Girls" por esse viés - e, consequentemente, a paixão de quem gosta da série por conta dele. Pra mim, a explicação é simples: "Girls", para boa parte de seu público feminino - que, sem dúvida, é maioria esmagadora -, a chance semanal de se projetar.

Vou tentar me explicar mais claramente. Todos nós nos projetamos, de uma forma ou de outra, em livros, filmes, peças e shows. Alguma parte de nós adoraria viver aquilo ali em algum momento; e assistir é uma convite para essa fantasia. De certa forma, no geral os homens costumam ser mais infantojuvenis em suas projeções culturais. Nunca deixam de gostar do Luke Skywalker, do Batman, do Indiana Jones, do Marty McFly sem que esse gostar signifique "como eu queria ser ele". As mulheres, não: elas não crescem e seguem querendo ser a Mulher Maravilha, ou a Barbie, ou a Hannah Montana. Elas preferem exemplares menos fantasiosos, e que pareçam - pareçam - mais próximos da realidade. Tipo Hannah, Marnie, Shosh e Jessa.

O quarteto de "Girls" vive o glamour do cool sem parecer viver. Fingem para o público que ralam, estudam, o escambau, mas na verdade levam a vida na boa. Nenhuma é ricaça, mas moram na cidade mais cobiçada do mundo apenas trabalhando em cafeterias - em que, no máximo, tiram um espresso aqui, outro ali, saindo do serviço a hora em que bem querem -, suas altas confusões histórias rolam em festas sensacionais... É algo que me lembra "Sex & The City" mas, além da diferença de geração, "Girls" tem a manha de não ter personagens que ostentam roupas, carrões, vestidos e belezas inquestionáveis - como, por exemplo, suas quase-contemporâneas de "Gossip Girl". Pelo contrário: "Girls" é um show de desalinho com os padrões estéticos das passarelas, das revistas e, claro, das séries. No visual e no gosto, as garotas realmente poderiam ser suas vizinhas - e sim, isso é legalzão. Mais do que isso, a estética da "vida real", juntamente com os momentos losers, selam com poderes superbondianos a conexão da mulherada que se projeta no quarteto.

Injusto dizer que é só isso? Claro. Tem excelentes sacadas, momentos muito divertidos, uma direção bacana e uma trilha sonora que encanta quaisquer ouvidos afeitos ao indie pop rock. Mas como série, é apenas um programa razoável cujo trunfo é dar às espectadoras a chance de serem aquelas meninas por 20 minutos por semana.

Um comentário:

Guilherme Maciel disse...

Nossa, não sabia que o blog tinha voltado a ativa (Vai rolar podcast?). Por falar em série, a nova do Damon Lindelof (The Leftovers) me fisgou de vez. Ela consegue deixar aquele gostinho que só Lost conseguia (Não tanto quanto, é claro).

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