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quarta-feira, 9 de setembro de 2009

RODANDO EM BUENOS AIRES: DICAS PARA UM ROTEIRO ALTERNATIVO

Em bom portunhol: estoy de vuelta! Depois de quatro dias em Buenos Aires, hora de espanar a poeira do blog - e do jeito que prometi no post anterior.

Como dar uma googleada pra ver que sobram dicas de sites em português sobre turismo na capital argentina - que, depois da crise econômica dos hermanos, tornou-se um local acessível pra gente - e já que estamos no Rodanders, minhas sugestões envolvem games, toy arts, rock... Vamonos em tópicos:


GASTRONOMIA E BEBIDA

- Parece óbvio, mas vale chover no molhado: antes de viajar, deixe a dieta fora da mala. Sorvetes, carnes, doces de leite, cervejas, vinhos e alfajores te esperam.

- A cerveja titularíssima local é a Quilmes, que é deliciosa - seu chope, idem; mas há outras boas opções, como a Warsteiner e a Eisenbeck. Sim, eu sei que essas duas não são originalmente locais, mas são encontráveis em todos os lugares, assim como Stella Artois, Heineken e Corona.

- Todo mundo fala dos alfajores Havana, que de fato são bons pra cacete; mas ainda melhores - ou pelo menos em pé de igualdade com o alfajor de dulce de leche com cobertura de chocolate, meu favorito - são os Havannets, espécie de Nha Bentas portenhas com uma cobertura achocolatada bem espessa e de recheio de doce de leite de primeiríssima. Espetacular.

- Um detalhe importante: deixe para comprar os alfajores, havannets, potes de dulce de leche etc. no free shop do aeroporto, que fica na área do embarque. Os familiares e amigos agraciados vão te amar para sempre.

- Tudo bem que o Havanna é O alfajor, mas há outros muito bons na concorrência - como o Capitán Del Espacio, indicado pela Laila (valeu!) e que ainda tem uma embalagem vintage bacaninha. Só que o Capitán não é nada fácil de achar...

- Outros hits são os sorvetes do Freddo, rede de helados com uma loja a cada 500m e que traz em seu cardápio um sabor melhor do que o outro. Mas a boa é experimentar alguns que você não encontra por aqui, ou ao menos não de forma tão caprichada. De novo, aposte no dulce de leche, o doce de leite deles, que é indescritível de tão bom. Meu sabor favorito na Freddo é o dulce de leche com brownie. Não percam.

- Se você quiser tentar outra heladeria, o nome é Un'Altra Volta, com uma variedade tão boa quanto a do Freddo e uma qualidade ainda melhor. Tente o Banana Volta e Menta Granizada (com pedaços de chocolate).

- Voltando a falar de bebida, uma dica divertida e boa: quando você for no domingo à Feira de San Telmo - sim, porque você vai à Feira de San Telmo - não deixe de passar no Patio Cervecero, que fica exatamente em frente à feirinha, para tomar uma... Duff. Duff? A dos Simpsons? Pode acreditar:









A cervejaria vende a bebida favorita de Homer Simpson em garrafinhas geladas! E não é que a cerveja é boa? É para beber vendo as barraquinhas de San Telmo e guardar a garrafa (e a tampinha) pra pôr na prateleira da estante da sala de casa.

Um detalhe: também se encontra Duff em alguns supermercados de lá. Springfield existe - e fica na América do Sul!


COMPRAS, COMPRAS, COMPRAS


- Eu falei sobre deixar dietas para trás, mas o mesmo vale com a muquiranagem: Buenos Aires é lugar pra se gastar. O câmbio favorece, e muito: 1 real equivale em média a 1,80 peso. Tem loja que aceita nosso dinheiro, mas o ideal é trocá-lo nas casas de câmbio espalhadas pelo centro. Quem resolver levar dólar, então... A moeda americana tem uma cotação altíssima - em alguns lugares, chega a 4 pesos. Por isso, solte o consumista que existe em você.

Agora sim, compras!

- Ama tênis Vans, camisetas de bandas/séries/engraçadinhas, piercings? Marque no seu mapa uma passada na Galeria Bond Street, na Calle (rua) Santa Fe, 1670. São três andares de lojas de roupas, estúdios de tatuagens. Os preços dos casacos e dos tênis são ótimos.

- Sobre tênis, não posso dar dica melhor do que os modelos da Pony. A Pony é uma marca americana bem forte na Argentina, com produtos de fabricação local inclusive. E os tênis deles são bonitos demais, com preços de chorar. Por cerca de 160 pesos (R$80) você pode levar um modelo como esse:



Sei porque fiz isso: comprei dois pares.



(Foto: blog Meninas Intimadasss)


- Em La Bond (apelido da Galeria Bond Street) você também encontra toy arts. Uma loja que vale ser visitada é a Retro Toys, que mais parece um brechó de brinquedos, como você pode perceber na foto acima. As prateleiras são apinhadas de bonecos, e o lojista aceita choradas no preço.

- Com preços um pouco mais salgados - pouco! -, a Adidas Originals de Palermo Soho tem casacos clássicos a 180 pesos (R$100). Aliás, em Palermo Soho há também uma loja de rua da Nike com produtos a preços mais em conta do que os daqui.

- Palermo é mesmo um lugar bacaníssima. É um bairro jovem, de lojas de rua muito legais, com livrarias, cafés etc. Não hesite em entrar em uma das "portinhas" que encontrar por lá.

- De volta à Feira de San Telmo. A maioria das barracas vende antiguidades como talheres, pratos e telefones de disco, entre muitas outras coisas - inclusive brinquedo de décadas passadas, como bonecos do Gato Félix e do Topo Gigio. Vale escarafunchar e, encontrando algo legal, fazer valer a regra nº1 de qualquer feirinha: pechinchar.

- Muito perto da feirinha, descendo a calle Defensa, há duas lojas de artigos domésticos muito cool: uma delas é a Tienda Palacio, com toy arts, relógios de parede e quadros com reproduções de capas de revistas em quadrinhos; e a outra é a L'Ago, na mesmíssima vibe, com destaque para luminárias diferentes, com modelos em forma de fantasmas de Pac Man e de inimigos de Space Invaders.


NOITADAS E PASSEIOS CULTURAIS


- Importante lembrar que estamos falando da capital de um país enlouquecido por futebol - talvez até mais do que nós. Então, se na Argentina somos lembrados o tempo todo que futebol é cultura, um passeio essencial é conhecer La Bombonera, estádio do Boca Juniors, o Flamengo portenho, que fica no bairro de La Boca:





Por coisa de 20 pesos se tem acesso ao interior do estádio, com direito a uma visita ao museu do clube. E, sem sacanagem, mesmo sem ser em dia de jogo, estar ali é algo especial quando se curte futebol. Mas não faça como eu: assista a uma partida do Boca. Por pura incompatibilidade de datas, não consegui. Fica pra próxima.

Outra coisa: do lado de fora do estádio,entre numa das lojinhas para fanáticos da hinchada do Boca. Lembranças para todos os gostos e bolsos.

- Pertinho do estádio do Boca está Caminito, rua cujas casas têm uma pintura peculiar e colorida. Se for almoçar por lá, repare no papo mole dos "promoters" dos restaurantes locais, que tentam te atrair através do...futebol. Se você está de camisa de seu clube, eles chegam até a cantar músicas de exaltação a ele. No meu caso, viram que sou Flamengo, e cantaram "Tu és/time de tradição/Raça, amor e paixão/Oh, meu Mengo!". Reparem só na faixa que aparece na fachada de um destes restaurantes para ver se estou brincando:





Em Caminito, você pode esbarrar em figuraças como o Hormiguita, um cara que vende formiguinhas artesanais feitas de plástico de arame vestido como uma formiga gigante. Sente só o naipe da peça:




- Antes ou depois da Feira San Telmo, dê um pulo nas esquinas das calles Chile e Defensa: sentada num banquinho, lá está a recém-inaugurada estátua de Mafalda, a incrível personagem do cartunista Quiño. Para tirar foto, que nem eu fiz:





- Para aquela cervejinha noturna no esquenta da noitada, uma opção é o Mundo Bizarro (Serrano 1122, Palermo), bar com decoração retrô, exaltando pin-ups, carros envenenados, caveiras e filmes b. Bonito demais.





- E depois? Bom, se for sábado à noite, recomendo o Sick Club (foto acima). A festa do dia na casa é a Avantt, com duas pistas de rock/pop dos bons. De Cindy Lauper a MGMT, de Justice a The Clash a partir da 1h30 da manhã - é, a noite de Buenos Aires começa tarde! Música boa, cerveja gelada e galera a fim de farra até o amanhecer, como deve ser.


- Como nem todos recomendam, me sinto na obrigação de indicar uma visita ao MALBA, o Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires. No acervo fixo, o Abaporu de Tarsila do Amaral, obras de Botero, Frida Kahlo, Di Cavalcanti, entre outros, e intervenções como a Entremaderas, de Pablo Reinoso:





Para quem vai a Buenos Aires mês que vem, ótima notícia: no dia 23 de outubro acontece no MALBA a inauguração de "Andy Warhol, Mr. America", primeira exposição do artista no país. Vai até fevereiro!

- E para terminar, volto a falar de futebol. Não dei a sorte de pegar a exposição de Andy Warhol nem de acompanhar um jogo do Boca, mas tive o prazer de ver o Brasil vencer a Argentina no telão de um pub, devidamente acompanhado de amigos, pints e gozação verde-amarela em território adversário.

Vou dizer: eu gosto de futebol, mas não ligo para seleção - acima de tudo, sou Flamengo; no entanto, no último sábado torci como há tempos não fazia para a equipe brasileira. E valeu a pena, porque a sacanagem com os hermanitos foi excelente. A foto abaixo apenas sugere um pouco do que foi:



(Meu camarada Luiz Felipe e eu, tirando um sarro
com os argentinos na casa deles. Desculpem, Hermanos!)

No mais, os caras levaram numa boa, apesar da cabeza inchada. Se tiverem a experiência de assistirem a um Brasil x Argentina por lá, não percam a chance. Se o jogo acontecer na casa deles, mejor ainda.


***

Apenas um pedido: quem for seguir alguma dessas dicas, aceito o agradecimento em forma de regalos Havanna. Gracias y buena viagem!

domingo, 6 de setembro de 2009

MI BUENOS AIRES QUERIDO...

É isso aí: estou na capital argentina, passando uns dias de férias, e, como já tinha avisado no Twitter do blog, os posts vao dar uma rareada - até porque no tengo wi-fi no quarto.

Quando regressar do intensivao de portuñol - nesta próxima terça-feira - vai rolar um post com dicas do que se fazer na ciudad, com um roteiro medio turistón, medio alternativo. Pero já adianto: ver um Brasil x Argentina por aqui é fundamental - ainda mais com vitória nossa. É otra cosa, amigos... Hasta!

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Poder de síntese

Minha rua em São Paulo é cheia de hotéis. Melhor: é cheia de hotéis curiosos. Digo isso porque se dividem muito claramente em categorias, pra não deixar dúvida alguma para seus hóspedes em potencial. Por exemplo:





Ficou claro? Nesse, pode-se levar pai, mãe, vovó ou até mesmo a namoradinha recente -a mesma que certamente seria barrada neste aqui:





A preocupação no letreiro diz tudo. Nele, o nome do hotel e a lembrança de que não serão tolerados nos quartos e demais dependências comportamentos mais ousados do que roncar feito um porco na cama.

Nenhum letreiro, porém, é mais claro e cristalino do que este aqui:




É isso. Hotel. Ou, como prefiro, hotel Hotel. O melhor nome possível. E o resto fica para a sua imaginação. A minha diz: patrões e secretárias. Café requentado. Almoços de 4 horas de duração. Crimes passionais. Privada de descarga com cordinha.

Fica na mesma rua em que isso aqui aconteceu. Se tudo tivesse ocorrido em um hotel, dá para imaginar em qual? Eu aposto qualquer barra de sabonete Sabonete que saberia apontar onde foi o barraco.
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