quarta-feira, 4 de março de 2009

AS FALHAS NA MATRIX

Algumas coisas me assustam nesse mundo. Muitas de um jeito apenas apavorante, mas outras também me despertam uma curiosidade aguda. E acho que, neste segundo grupo, as de maior destaque são aquelas que o amigo Erdna Alerazim definiu como as falhas na Matrix.

Sabe quando você pensa numa música, liga o rádio em seguida e a mesma canção em que você está pensando toca? Ou aqueles inúmeros casos de "você não morre tão cedo", em que a pessoa chega onde você se encontra no exato momento em que estão falando dela? Estes são típicos exemplos de defeitos na Matrix, assim chamados por parecerem insinuar que existe mesmo alguma coisa errada no mundo de mentirinha em que vivemos para ocorrerem coincidências tão absurdas.

Outro dia num almoço, eu, Erdna e outros amigos chegamos à conclusão de que as falhas na Matrix estão cada vez mais frequentes e descaradas - e isso não é de hoje. Comigo, já aconteceu mais de uma vez de pensar/cantar/assobiar uma música, ligar o rádio ou mudar de estação e a mesma tocar. Porém, as duas ocorrências mais espantosas de falha na Matrix vividas por mim põem essas no chinelo.

A primeira é dos idos de 2002, 2003, por conta de uma das músicas da minha banda chamada "Bem-Vindo ao Clube". Estava eu vendo "The Cosby Show" de madrugada e falando com um conhecido no ICQ quando ele me pediu para enviá-lo uma mp3 com a música. Feito isso, no exato instante em que a transferência do arquivo acaba, Bill Cosby fala na TV: "Welcome to the club". Não é para ficar intrigado?

A segunda - e talvez mais bizarra, e a que motivou esse post - aconteceu há 10 dias. Eu fui buscar o pé de um tênis meu cuja sola havia descolado à sapataria, pois o conserto já tinha sido feito. E no instante exato em que a atendente me mostrava o tênis recauchutado, entra uma senhora na loja. Em suas mãos, um tênis cuja sola estava descolando. Era O MESMO MODELO do meu, NA MESMA COR.

Não acreditam? Eu fiz questão de fotografar. Vejam:



O meu é o da direita, claro



Por essas e outras, há tempos fiz um post-it mental para que me programasse para ler "Sincronicidade", livro do Jung batizado com o termo criado pelo psiquiatra, que define a harmonia de eventos sem relação causal. Esse dia ainda não chegou, mas tenho certeza de que, no dia em que entrar na livraria para comprá-lo, verei outra pessoa procurando por ele. Isso se vocês aí não puserem nos comentários que já pensaram em me sugerir que escrevesse sobre as incríveis, fantásticas e extraordinárias coincidências que a vida insiste em promover só para nos sacanear ou para mostrar que, em breve, isso tudo que nos rodeia vai mesmo pro cacete e nós acordaremos num mundo escuro e estranho em que Keanu Reeves é Jesus Cristo.

20 comentários:

Gui Neves disse...

Aconteceu esse final de semana comigo. Fui para um bar com minha namorada e um ex colega da faculdade que também se chama Guilherme. Lá pelas tantas tenho que ir ao banheiro. Dentro do banheiro tinha mais dois caras. To lá, fazendo meu pipi na boa, quando um cara pergunta pro outro "Você se chama Guilherme também, né?".

Tinham 3 pessoas no banheiro naquele momento e as três tinham o mesmo nome, sendo que tinha mais um Guilherme na minha mesa.

Anônimo disse...

Excelente post C.A.

Infelizmente não to lembrando de uma falha de Matrix que aconteceu comigo, mas que isso existe é um fato inegável!

Esse assunto pode render uma BOA série de tópicos aqui no blog, heim!

Abraço.

Kaká disse...

Aconteceu uma comigo segunda de manhã, eu estava correndo escutando o meu iPod e passou por mim um cara (desses que correm e cantam) cantando a música que eu estava escutando.

Eu fiquei interessada na sincronicidade depois daquele album do Police, até comprei o livro, mas era muito nova para ler. Anos depois eu li, e é bem interessante.

Tem a ver com as coisas estarem acontecendo tudoaomesmotempoagora.

bjs!

AP disse...

Eu penso num filme que assisti há tempos e naquela semana ele passa na TV.



ps.Belo tênis, Pena que a sola descole facilmente... :p

Leo disse...

Certa vez estava em um PUB em Ipanema e um senhor indiano puxou conversa comigo e com meus amigos. Lá pelas tantas, um dos meus amigos diz que, no segundo grau, estudou com uma menina indiana. Meu amigo disse apenas o primeiro nome da menina.

O indiano falou o sobrenome dela, o endereço e ainda comentou que era muito amigo dos pais dela desde a infância na Índia, mas que não os via há anos. Ele disse que pretendia encontrá-los ainda naquela semana, assim que seus compromissos de trabalho se resolvessem.

Sinistro, muito sinistro!

Diego Reigoto disse...

Cara, ontem eu estava conversando sobre isso com uma amigo. Que sinistro! Aí contei pra ele que uma vez eu sonhei que minha casa estava infestada por sapos muito pequenos.

No mesmo dia, vi no Discovery Channel um documentário sobre sapos anões da Amazônia. Só que eu odeio a Discovery e documentários de animais.

Tipo, qual a probabilidade de eu assistir uma coisa que odeio exatamente no dia que sonhei com aquilo!

Acho isso tudo muito bizarro... Vou anotar o livro pra ler.

Fabricio Yuri disse...

filosoficamente falando, podem não ser falhas na matrix. podem ser acertos. ou mesmo uma forma de te dizer algo, já que ela não pode interferir diretamente, sob pena de destruir o continuum tempo-espaço (cf. emmet brown).

seria algo tipo: esse tênis, vc não deveria usar... =)))

Ricardo Rente disse...

CARACA! Olha que oportuno, uma dessas "falhas" aconteceu comigo essa semana. Tava lá eu ouvindo umas músicas ai "po espero que não seja Back in Black na próximo" pq já tava meio cansado dela, e advinha q música tocou em seguida? =/

vinicius_bracin_01 disse...

Tenho várias histórias assim.

A que eu mais gosto é a do dia que estava com minhas amigas e a gente tava comentando sobre o Jack Black (e o filme do Tenacious D) , sobre o Foo Fighters, uma até disse :
- deles a minha favoritas é learn to fly.

ai logo que esse assunto acabou a gente sentou pra ver tv e não tinha nada que prestasse, então eu disse:
- põe naquela mtv hits
-lá é ruim, só toca rap.
-põe lá, vai passar algo legal
minha amiga pois no canal e tava começando o clipe de learn to fly
que conta com a participação especial de Jack Black e seu parceiro no tenacious D Kyle Glass.

Concordo com você Carlos, logo tudo vai explodir e vai mostrar q seu significado não é nada demais.

É aquela coisa, a vida é uma só então relaxa, aproveita porque acaba logo e não tem muita coisa depois, nem muita explicação.
Foi o que aprendi com o Monty Python e sigo desde então.
usauhsahu

abraços

JoNguedes disse...

Tá bom Carlos, é sacanagem num é? Ontem eu baixei o episódio piloto de uma série que eu nunca tinha ouvido falar, só pra conhecer. Tudo bem até aí. Ainda não vi o episódio. Mais cedo eu li este post, achei interessante... mas aí vem o pior: resolvi ver o episódio agora. Adivinha qual é o nome do episódio piloto da série "Women's murder club"? tchan rã! Welcome to the club!

mattoso disse...

ah carlão, o lance do programa de tv foi bem mais bizarro!

Brito disse...

Não viaja. Parafraseando Sheldon Cooper:

"Oh, well, this would be one of those circumstances that people unfamiliar with the law of large numbers would call a coincidence. "

O tênis com o mesmo problema só demonstra uma falha na fabricação.

Carlos Alexandre Monteiro disse...

Brito, ok, mas... e a mulher chegar na mesma hora e na mesma sapataria, com um modelo comprado por mim em 2003? Não houve recall não...

JoNGuedes, Gui e vinicius: vocês estão vendo?

Mattoso, deu medo, cara.

Leo, espetacular.

Kaká, lerei e discutiremos!

Ronaldo disse...

http://en.wikipedia.org/wiki/Baader-Meinhof_phenomenon

hilário souza disse...

Boa teoria. Mas você já parou pra pensar em quantas vezes cantamos uma música qualquer e ela não toca no rádio? Em quantas vezes pensamos em uma pessoa e, por mais forte que seja a vontade, essa pessoa não aparece do nada? Ou em quantas vezes chegamos numa loja atrás de um filme/CD/roupa etc, e mais ninguém, naquele momento, surge querendo a mesma coisa???... Será que não são esses momentos de "falha da matrix" que ficam mais presos na cabeça da gente enquanto que aqueles outros onde não acontece nada de mais, a gente acaba não dando a menor importância???... Vai aí outra teoria.
Valeu pela dica do Jung...
Abç.

Anônimo disse...

Probabilidade, é isso. Não conseguimos conviver com o fato de não termos o menor controle sobre as coisas então inventamos essas "teorias" para ter essa ilusão. O tênis descolou no mesmo modelo. Logo, provavelmente, muitas sapatarias devem ter recebido o modelo para consertar.
A música no rádio acontece de forma inversa: de tanto ouvir os "hits", eles ficam na nossa cabeça; e como tocam muito, a probabilidade de vc estar com ele na cabeça e se deparar com ele ao ligar o rádio é naturalmente muito maior.
Espantoso seria você pensar em uma música que você nunca ouviu no rádio e ligar o rádio e ela estar tocando.
Ou você ir consertar um sapato exclusivo, comprado fora do país e outra pessoa estar com um igual. Mas no mundo de comunicação de massa, com consumo em larga escala, nada disso é impressionante.

Renata B disse...

Sou leitora assidua do Lost In Lost e já tinha visto sua indicação para seu blog, vamos dizer, mais pessoal, mas a preguiça me impedia de ler, hoje fuçando no Google Reader eis que vejo a indicação dele e resolvo dar uma fuçadinha. Achei esse post fantastico e lembrei de uma falha super incrivel que aconteceu comigo, muito melhor que essas duas suas, sem querer te diminuir é claro. Devia ter uns 12 ou 13 anos nem me lembro, nos domingos de manhã no SBT tinha o programa da Vovó Mafalda, a tv estava ligada e eu mal lembro o que fazia, se estava vendo a tv ou fazendo outra coisa, minha mãe me chama e me dá uma tesoura pra eu guardar, no exato instante que entro na sala a Vovó Mafalda chama "pichichiu, o pichichiu, você mesmo com a tesoura na mão, guarda isso que isso não deve ficar na mão de criança", juro que não sabia se ria ou chorava, claro q guardei a tesoura, mas quase 20 anos se passaram e isso não sai da minha cabeça.

Guilherme Skateboard disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Marcos Santos disse...

Eu quando criança em uma festa de escola com meu irmão vimos um objeto passando na frente da Lua, o objeto tinha a forma de um asteróide gigantesco e fez muito barulho,as pessoas que estavam no local viram, me lembro delas olhando para o alto e segundos depois que o objeto passou todos voltaram a fazer o que estavam fazendo, somente meu irmão e eu lembramos o que tínhamos visto.

suzeane rodrigues disse...

Uma vez de madrugada​ eu escuto meu filho me chamando ( ele dorme no quarto comigo), olho pra porta e vejo ele lá, então eu chamo: vem Samuel, volta pra cama e ele fica parado me olhando e eu continuo chamando até que meu ex marido acorda e fala e me pergunta o que eu estou fazendo , eu respondo: Samuel está em pé na porta, e não quer voltar pra cama. Ele responde: tá maluca? Ele está na cama dormindo e quando eu olho, meu filho está na cama. Nunca esqueci disso. Ele estava na porta e na cama ao mesmo tempo, ou algo igual a ele estava na porta.

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