quarta-feira, 31 de março de 2010

10 ANOS DE "ALTA FIDELIDADE", O FILME... MAS FALEMOS DO LIVRO.

A Pop Candy Whitney Matheson me lembrou de que "Alta Fidelidade", o filme inspirado na obra homônima de Nick Hornby, acaba de completar 10 anos. Hooray - o filme é divertido, carismático, John Cusack & cia. vão bem em seus papéis etc. etc. etc.; mas quero me valer desse festivo acontecimento para lembrar do que o originou: a obra de Hornby.

"Alta Fidelidade", o livro, é bastante especial para mim, por alguns motivos idem. O primeiro é que ele caiu nas minhas mãos no período em que talvez eu mais estivesse envolvido com música, tocando bastante e compondo regularmente - pra quem não sabe, eu tenho uma banda chamada Netunos, atualmente hibernando. Porém, como diria aquele comercial de TV, "não é só isso".

O livro tem um significado que talvez seja ainda mais forte para mim. "Alta Fidelidade" marcou o meu reencontro definitivo com o hábito da leitura. Eu, que sempre gostei de ler desde moleque, fiquei divorciado por um tempo dos livros. Posso mentir para vocês que foi por falta de tempo, mas não farei isso. Prefiro mesmo admitir que a literatura não era mesmo foco na época... até "Alta Fidelidade" mudar essa história.

Para falar disso, me transporto para o Nick Hornby que estou devorando atualmente - "Frenesi Polissilábico" é o nome do livro que reúne as colunas do escritor para a revista inglesa de literatura The Believer. Para quem gosta de ler e escrever, "Frenesi" traz uma proposta interessante por demais ao apresentar o escritor como leitor, revelando os aspectos diversos de sua relação com as obras dos outros, e o quanto isso respinga no trato com os escritos dele próprio, e vice-versa.

E é na inspiradíssima introdução de "Frenesi Polissilábico" que me relembro de "Alta Fidelidade". Nela, Hornby simplesmente desmistifica toda a implícita exigência de erudição e de relação de submissão do leitor com o livro que muita gente tem em mente, e acaba com os tabus que as obras escritas parecem trazer consigo, sobretudo as clássicas. Ele diz que, acima de qualquer coisa, literatura é um prazer; e que seu consumo deve ter o mesmo modelo do que adotamos com os objetos culturais aparentemente menos preciosos - músicas, games, seriados etc. E qual é esse comportamento recomendado por ele? Simples: não gostou do livro? Feche-o e parta para outro.

É por aí mesmo. Acredito e faço coro com Hornby porque acredito em que não existe quem não goste de ler, e sim gente que ainda não achou o que gosta de ler. E é o tipo de gosto em que vale a pena insistir, ainda que haja épocas em que nossa mente e espírito possam estar cegos para a leitura em razão de outros interesses mais relevantes no momento.

No fundo, toda essa ladainha é para dizer que "Alta Fidelidade" é um livro do cacete pois, além de trazer uma história brilhante e personagens destacados, sua narrativa e sua trama têm a natural vocação de exercer na prática o que Nick Hornby defendeu brilhantemente no começo de "Frenesi": literatura não precisa ser rebuscada pra mim, pra você, nem pra você e muito menos pra você, e sim agradável, prazerosa, recompensadora. Não há tempo a perder, e por isso o que não nos afeta tem mais é que ir para a vala. Que se faça isso mais vezes com livros, mas não com a literatura. Portanto, se você pôs o chapeuzinho de cone pra comemorar os 10 anos de Rob Gordon (o protagonista do filme), vá atrás de Rob Fleming (o do livro); e se (ainda) não viu John Cusack arrebentar no papel do dono da Championship Vinyl, procure antes dar uma cara ao personagem pelas linhas do Hornby. No mínimo, você vai encontrar uma boa história; e na melhor das hipóteses, pode reencontrar ou descobrir uma das melhores coisas da vida.

2 comentários:

Kaká disse...

Que bonita delcaração a um livro. :)

Alta Fidelidade também é um dos meus preferidos, e li antes de ver o filme. Deu vontade de reler.

bjs!

Kleber disse...

"Alta Fidelidade" é um dos meus livros favoritos também. A narrativa do Nick Hornby é ótima. Devorei em poucos dias e virei fã do autor.

Abs,

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