
E quem foi Franz Kafka? Quem só o conhece por sua mais famosa obra, "A Metamorfose", ao ler "Kafka de Crumb" entende um pouco mais da mente do homem que resolveu um dia contar a história de um sujeito que acordou transformado em uma barata. No repugnante inseto há muito de Kafka, sujeito cheio de neuras, com uma relação mal-resolvida com quase tudo em sua vida - o físico, a condição de judeu, o trato com as mulheres e, sobretudo, com a relação atribulada de ódio/submissão/paixão pelo pai, Hermann.
A tensão reinante entre Kafka e Hermann permeia todas as obras do escritor - sintetizadas de forma cativante por Robert Crumb em quadrinhos. Além de "A Metamorfose", o ilustrador ainda nos resume "O Processo", "A Toca", "Na Colônia Penal"... Em algumas destas histórias, além da obssessão paterna, há também a presença de outra característica da obra kafkiana: o uso de animais, se não como personagens principais, pelo menos em metáforas frequentemente utilizadas pelo autor como forma de rebaixá-los... e de rebaixar-se também.

Pus a página da versão em inglês, mas o
livro saiu por aqui também
Em suas 175 páginas - na prática, parecem 50, de tão fluente que é sua leitura -, "Kafka de Crumb" serve bem tanto como um guia para quem quer ser introduzido à obra de Franz Kafka como aos que já conhecem os trabalhos do escritor e querem saber o que existe de real em tanto tormento ficcional. Em "Kafka de Crumb" lá está o escritor, competentemente despido, mastigado, engolido e regurgitado em quadrinhos que ganham toda a atenção daqueles que adoram conhecer o criador por trás da criatura e constatar que a fronteira entre os dois é quase nula.
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