terça-feira, 30 de dezembro de 2008

RETROSPECTIVA TUDO ESTÁ RODANDO: O QUE ROLOU DE MELHOR EM (MEU) 2008

Tudo bem que o jogo só acaba mesmo quando termina, mas vamos admitir: essas pouco mais de 30 horas que nos separam de 2009 são meramente protocolares. Não é que o novo ano já tenha começado, mas é o atual que já foi pro saco...

Por isso, é chegada a hora da retrospectiva - a primeira! - do blog. Hora de repassar o que mais gostei no ano em seus diversos aspectos. Aviso logo que é post longo, mas se for o caso, basta ler o que as áreas de interesse.

E um convite final: os que têm blogs e tiverem feito retrospectivas, por favor ponham os links nos comentários; e os que não fizeram o seu balanço em lugar nenhum, que usem o espaço de lá de baixo para isso. Vai ser divertido, vocês vão ver!

Então, para encorajar geral, lá vou eu:


DISCOS

Uma das resoluções cumpridas neste ano foi a de me reaproximar das novidades musicais, das quais andei um pouco afastado no anterior. E 2008 me foi bem grato, me dando a chance de conferir ótimos lançamentos...

Dentre todos, talvez o melhor seja mesmo "Oracular Spetacular", do MGMT. Como eu disse num post à época do lançamento do disco, me soou novo como há muito não ouvia nada soar - e novo bom, diga-se. Por sorte, eles ainda vieram para o Rio e fizeram um show interessante num Tim Festival que não foi lá essa coca-cola toda... Bom, disso falo depois.

Curioso que, para mim, 2008 foi também um ano em que me aproximei bastante do que costumam chamar de electrorock - em outras palavras, rock misturado com música eletrônica (basicamente electro) a ponto de não se saber onde começa um e termina o outro. E foi nessa que esbarrei com outros ótimos discos, como os epônimos do Crystal Castles e do Black Ghosts. Se a sua é sacudir, corra atrás dos dois...

Na reta final do ano, conheci um disco que, a exemplo do "Oracular Spetacular" mereceu um parágrafo à parte: "Fantasy Black Channel", de uma banda inglesa chamada Late of The Pier. Eles também sabem fazer dançar, bebem no nonsensezinho que alimenta grupos como o adorável Of Montreal e acertaram em cheio neste debùt. Se for para apostar, digo que é um nome desde já cogitável pro Tim Festival 2009. Se eles vierem, lá estarei!

Ah, e deixo três menções honrosas: para "Dear Science", do TV on the Radio, surpreendentemente dançante; "Diamond Hoo Ha", retorno do Supergrass ao rock setentista após o introspectivo "Road to Rouen"; e o arriscado e bacana "Intimacy", do Bloc Party.


SINGLES

Como teve coisa boa em 2009. Mais uma vez, repito: meu foco esteve sobretudo nas pistas. E dancei ao som de músicas bacaníssimas. Dentre elas, destaco "Great DJ", dos Ting Tings, a animadona "Funplex", dos B-52's - bem-vindos de volta! -, e as espetaculares versões dos caras do The Twelves para "Boys", da M.I.A., e "I'm Not Gonna Teach Your Boyfriend How To Dance With You", dos Black Kids.

Porém, foram outras duas que disputaram pau a pau o título de melhor do ano: "American Boy", parceria afinadíssima de Estelle e de Kanye West; e "My Drive Thru", traquinagem do ensemble N.E.R.D.+Santogold+Julian Casablancas. Confesso que, na disputa por mim bancada, a decisão só veio no photochart - e melhor para a primeira. Aonde tocou, "American Boy" pôs patricinhas, indies e quem mais a ouvisse pra suar com classe, provando que isso é possível. Troféu Delícia Cremosa pra ela!


SHOWS

Tudo bem que não consigo chamar 2008 de espetacular em matéria de shows - 2009 nem começou e já vem promissor, com Radiohead, Kraftwerk e B-52's -, mas também não dá para avacalhar. Porém, começo relembrando de uma decepção: Interpol. Não por conta deles, mas sim pela tenebrosa infra-estrutura - posso chamar assim? - que a Fundição "Progresso" (aspas necessárias) proveu à banda. Precisam voltar, e pra tocar num lugar melhor, mas fica difícil saber se vão querer...





Deixando aquele inesquecível fiasco de lado, passo para os highlights. Gastei sola com Justice no Circo Voador, curti o Muse, matei a vontade de Breeders no Planeta Terra, testemunhei a volta de Jesus & Mary Chain... Mas nada me impressionou tanto quanto os Kaiser Chiefs, que tocaram como se estivessem na final de um campeonato de futebol. Sangue nos olhos, faca na boca e refrões para gritar cantando, ou cantar gritando. Golaço que ofuscou o Bloc Party - mas Kele Okereke e cia., ao que consta, se vingaram no Circo Voador dias depois, fazendo o show imperdível de 2008 que eu... perdi. Acontece.

Falando ainda de Planeta Terra, o festival deu uma surra no Tim em termos de estrutura, escalação e etcéteras. E olha que o TimFa teve Neon Neon, Klaxons - os melhores do evento -, o figuraça Har Mar Superstar e o já citado MGMT, ainda que prejudicado e muito por falhas no som. Se repetir os micos de 2008, o fantasma do (sempre excelente) Free Jazz vai puxar o pé da organização... E, puxando a brasa para a minha sardinha, que o Terra pegue a Dutra em 2009!


CINEMA





Dentre várias coisas assistidas - e outras boicotadas, certo, Bond? -, sobraram na turma o soberbo "Rebobine, Por Favor" ("Be Kind, Rewind"), bela homenagem de Michel Gondry ao cinema, e "O Menino do Pijama Listrado", de Mark Herman, doce e incisivo olhar de duas crianças sobre a tragédia do Holocausto. Bonequinho aplaudindo de pé.

Não dá para deixar de fora o impressionante "Ensaio Sobre a Cegueira", adaptação do Fernando Meirelles para o livro de José Saramago. Eu (ainda) não li o livro, mas quem leu disse que ficou excelente - incluindo o próprio Saramago, que chegou a chorar ao ver o longa. Lágrimas justificadíssimas.

Agora, a pipoca. Se "Cloverfield" divertiu com sua versão Godzilla de "A Bruxa de Blair", a volta de Indiana Jones em "Indy e o Reino da Caveira de Cristal" dividiu muitas opiniões. A minha? Um retorno dos bons, mesclando elementos indispensáveis a um bom filme chapéu-e-chicote (mentiras a rodo, arqueologia fantástica), referências aos três longas anteriores e, claro, piadas sobre a idade já avançadinha de um de meus heróis favoritos de infância. Digno e divertido para cacete!


LIVROS

Se tem uma coisa que geralmente não consigo acompanhar no ano em que saem são os livros. É que tem tanta coisa passada que ainda não pude ler - como o supracitado "Ensaio Sobre a Cegueira", que não me escapa em 2009 - que eu acabo não me pautando pelos cadernos de livros. Por isso, de 2008, creio ter lido apenas o "Slam!", de Nick Hornby, um de meus escritores favoritos. E sua primeira incursão no universo, err, pré-adulto, é certeira. Uma divertida obra sobre amadurecimento com um auxílio luxuoso do fantástico.

No entanto, meus aplausos vão para Jonathan Safran Foer e seu "Extremamente Alto, Incrivelmente Perto". A saga do órfão Oskar vai muito além do convincente: encanta sem afetação nem expedientes baratos. Se vocês ainda não foram apresentados ao garoto, não adiem o encontro.

Preciso dizer também que este ano marcou a volta dos quadrinhos às minhas mãos, belamente representados pelos velhinhos mas ótimos "Black Hole", de Charles Burns, e "Maus", do Art Spiegelman - este, simplesmente indispensável.


SÉRIES DE TV

Todo fã de seriados sabe que 2008 foi meio esquisito, graças à fatídica greve dos roteiristas. A paralisação rendeu conseqüências funestas, como temporadas mais curtas - isso quando não foram adiadas por completo, pilotos engavetados... Mesmo assim deu pra conferir belas temporadas. Sempre dá.


Das que regressaram, "Lost", a minha favorita,
foi muito bem, obrigado - sobretudo por conta do encurtamento de duas horas que sofreu; e entre as estreantes - oh, dúvida! -, minha escolhida é "True Blood". Se me dissessem no começo do ano que eu iria ficar viciado em uma série de vampiros eu jamais acreditaria. Pois aconteceu, e garanto que não foi em vão: a trama é interessante, o clima é deliciosamente esquisito e os personagens são excelentes. O tal de Alan Ball (o criador da série) é bom mesmo; e desde já tem minha torcida para a conquista do Globo de Ouro, que acontece em janeiro.

Voltando a falar da maldita greve, talvez a série mais afetada tenha sido "24 Horas", cujo sétimo ano não saiu em 2008. Em compensação, sua introdução foi bem convincente: "24: Redemption" me deu bons motivos para retomar as aventuras de Jack Bauer.

O ano ainda teve o retorno triunfal de "Prison Break", que muitos julgavam com um pé na cova; a avassaladora "30 Rock" colecionando fãs, participações especiais e prêmios; "Gossip Girl" e "Dexter" indo bem; e a continuação - podemos chamar assim - de "Barrados no Baile", "90210". Pode até ser que a nova turma de Beverly Hills não seja tão carismática quanto a anterior - e não é mesmo -, mas a atração teve ao menos o mérito de trazer de volta Brenda Walsh e Kelly Taylor de um jeito nada estapafúrdio. Tomara que melhore.

E para encerrar o assunto, um dos pontos altos do meu ano enquanto fã (e profissional) do mundo das séries aconteceu longe da TV. Duas palavras explicam: Comic-Con. Foi demais ter a chance de poder ir até San Diego e cobrir a porção televisiva da maior feira de cultura pop do mundo; e o que era bom se tornou ainda melhor quando consegui conversar com os produtores de "Lost" Damon Lindelof e Carlton Cuse, com o boa-praça Greg Grunberg e com Jim Parsons, o hilário Sheldon de "Big Bang Theory". Foi tão bom que eu acho que viciei. Ferrou: quero replay em 2009!


GAMES

Tive quase a mesma situação em relação aos livros, já que havia um monte de contas passadas e pendentes a acertar com alguns títulos de Playstation 2; mas a destacável exceção atende pelo nome de Wii Fit, o jogo do Wii que usa uma balança/sensor de movimentos como controle e aparelho de ginástica.

Pouco mais de um mês de uso, juro que algumas melhorias já puderam ser notadas - por exemplo, no meu senso capenga de equilíbrio, que não é bom mas era pior antes de me arriscar na yoga virtual. E é bom ter em mente que, em breve, muitos outros jogos serão lançados para o acessório - sem dúvida uma das melhores aquisições que fiz nos últimos 12 meses.

Ok, só para não passar em branco: "Metal Gear Solid: Snake Eater", do Playstation 2, é incrível. Não vai ter uma nova aventura da série pra Wii não?


HUMOR

Seriados e filmes de comédia e tragédias futebolísticas adversárias à parte, encontrei outros bons motivos para rachar o bico. E dois deles, pasmem, vieram da TV aberta: a apresentadora mirim Maísa, do SBT, e Marcelo Tas e sua trupe do CQC. Enquanto a garota praticou um humor muitas vezes involuntário com tiradas precoces que (merecidamente) bombaram no YouTube, os jornalistas-humoristas pegaram a bobeira do Pânico e a moldaram na forma de ironia cheia de boas referências, com o auxílio de uma edição espertíssima. Para mim a melhor novidade da grade básica televisiva.





Infalível como sempre, o YouTube também rendeu, me apresentando dois ótimos personagens: O bizarro La Pequeña, anão que faz imitações toscas de celebridades; e Bruno Aleixo, um portuga ranzinza num corpo de Ewok - esse mesmo, da foto acima - e dono de um humor nonsense de fazer qualquer um se matar de rir. Eu, pelo menos, me acabei... e pretendo repetir a dose tantas vezes mais no ano que se aproxima.


* * *

Agora é a vez de vocês. Respirem fundo e façam um balanção também que sou todo olhos.

9 comentários:

Anônimo disse...

CA acho q vc nao eh brasileiro...pow da valor tb a cultura brasileira...aff...

Pablo disse...

Eu também fiz uma retrospectiva, vê aí: http://www.falarmalehlegal.blogspot.com/

Aliás, o blog tá sensacional, continue sempre assim.

Ramon Mineiro disse...

farei o meu e te mando depois!

e cara... METAL GEAR: SNAKE EATER É SENSACIONAL!!

atlantic disse...

Retrospectiva de 2008 sem sacanear o Chinese Democracy não pode!!!

http://basf90minutos.blogspot.com/2008/12/balano.html

E que o Tim Festival volte com tudo no novo ano que chega.

Ricardo Rente disse...

Koeh Carlão! Adorei sua retrospectiva, e anotei alguns nomes da parte de músicas pra baixar logo mais.

O Bruno Aleixo já me disseram várias vezes que é hilário mas nunca tive saco pra assistir. Quando ver eu passo aqui pra comentar.

E bom, como pedido aqui embaixo vai o link pra Retrospectiva: o melhor de 2008 do Território Nerd. Aguardo seu comentário. ;)

http://www.territorionerd.com/2008/12/retrospectiva-o-melhor-de-2008.html

Feliz ano novo pra tu e pra todos os seus leitores. \=D/

Kaká disse...

Muito boa essa retrospectiva.
Estou aqui na casa de praia no computador coletivo da casa, mas aqui vai de memória (péssima) o que eu gostei esse ano:
Disco: esse do mgmt é muito bom mesmo (eu só não gosto dessa capa novos baianos-secos e molhados), e gostei do novo do Kings Of Leon.
Show: não fui a nenhum esse ano.
Cinema: me diverti muito com Mamma Mia! (coisa bem mulherzinha), adorei o Batman e o Homem de Ferro. Nos filmes cabeça eu gostei muito do Lars and the Real Girl e do dinamarquês Depois do Casamento. Nos de terror foi O Nevoeiro. Be Kind Rewind é ótimo!
Livros: também li esse do Safron Foer esse ano, ótimo. Outros que gostei foram: Não me abandone jamais (título de música baiana, mas o livro é meio que ficção científica)não lembro o autor mas tem nome japonês, Rant do Chuck Palahniuk, Na Praia do Ian MacEwan, e reli toda série Watchmen.
Séries: True Blood foi a melhor surpresa do ano, mas eu também gostei do hamlet para motoqueiros que é Sons os Anarchy. The Office está um pouco devagar, mas eu ainda dou boas risadas. The Big Bang Theory entrou na minha lista de séries. E o sempre queridinho Dexter. Mas eu vejo tantas que não cabe aqui. :)
Humor: o CQC nas olímpiadas foi ótimo. quando voltar a banda larga vou ver o Bruno Aleixo no youtube.
Agora vou voltar para a praia que o mar está uma delícia.
Feliz 2009!

Gabriela Spinola disse...

Muito boa a sua retrospectiva, Carlão! Mas acho que ^você só achou "Oracular Spetacular" o melhor álbum desse ano porque você não ouviu "Dig Out Your Soul", o novo do Oasis. Ou ouviu e eu tô por fora?


De qualquer forma, aí vai o link para o Prêmio Enterprise dos melhores/piores de 2008, no "Eu Venho em Paz".

http://euvenhoempaz.blogspot.com/2008/12/prmio-enterprise-melhores-e-piores-do.html

Feliz 2009!

Carlos Alexandre Monteiro disse...

Boas!

Conferi e curti a retrospectiva de vocês... Ah, Gabi, e não ouvi o do Oasis não... Pra te ser sincero, acho a banda superestimada. Não ruim, claro que não, mas superestimada...

beijos e abraços!

André Gota disse...

Quanto ao Metal Gear, não, não vai sair outro para wii...
Já saiu o Metal Gear 4, em que a história de Snake e Big Boss se encerraram de uma vez por todas, mas é exclusivo para PS3...
Raios! Eu jogo no pc...

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