quarta-feira, 3 de setembro de 2008

MADONNA NO BRASIL: HOLIDAY OU HARD CANDY?

O que estão fazendo com os shows da Madonna? Ou melhor: o que fizeram com os shows da Madonna? Tal pergunta martelou minha cabeça após uma segunda-feira de lamentos, protestos, reclamações azeitadas nos corredores de faculdades, nas lan houses, nas baias de trabalho, nos Twitters da vida, formando evidências que levam qualquer um a constatar o triste óbvio: os espetáculos que eram para ser celebrações estão se tornando uma aporrinhação do tamanho do Maracanã e do Morumbi juntinhos. Sério: mostre-me alguém conseguiu desviar desse assunto nesta semana e eu te mostro uma Carmelita descalça.





A monstruosa dificuldade que se tornou comprar um ingresso para as apresentações de Madonna no Brasil rendeu histórias curiosas como a de uma amiga paulistana que, juntamente com outros conhecidos, fez uma vaquinha para pagar um cara pra ficar na fila e comprar ingressos no Morumbi. Isso sem contar as corriqueiras, de gente plantada feito dois de paus na frente do monitor, exercendo a sacrossanta paciência no apertar do F5, ou ainda, de pessoas tentando comprar por telefone, fritando as orelhas e gastando o redial de seus aparelhos. Enfim, Everybody se ferrando.

Assisto a tudo assustado, porém de longe; e com a tranqüilidade de quem se contenta em ter visto Madonna ao vivo da primeira vez que ela veio ao Brasil em 1993, com a turnê "The Girlie Show", pus o corpo fora do fogo cruzado de indignações para cogitar a seguinte idéia: esse show tá saindo caro demais. Ou melhor/pior: caro a ponto de não saber se tá valendo essa enxaqueca toda. Quer dizer, pros que são muito fãs da cantora, tê-la a poucos metros - ainda que na hora não necessariamente sejam poucos - já é um Doril eficaz o suficiente para apagar essas últimas horas de perrengues. Mas para os demais...

O lance é: quem vai ver mesmo a Madonna? Quem vai ouvi-la em boas condições? Uns 20% dos que irão aos estádios. Uns 20% de felizes sortudos que conseguirão ingressos para a pista vip. E uns 70% desses 20% certamente não vão desembolsar um real para isso. Aliás, quem conhece alguém que realmente conseguiu comprar um ingresso de pista vip? Eu só conheço gente com esperança de ter conseguido um vip por comprovar no cartão o devido débito correspondente ao valor do lugar comprado. Tá na cara: despreparo para gerenciar um evento desse porte é pouco.

Eu não vou e, pra quem não é muito fã da mulher, eu contra-indico sem pestanejar. E, numa boa, a última coisa que eu questiono nessa história é o talento da Madonna. O que pesa pra mim é o trauma de quem foi tratado como gado no último dia do Rock in Rio 3, de quem cansou de passar apuros sérios (aka bala perdida, briga de torcida organizada) no próprio Maracanã... e, claro, a grana pretíssima cobrada por um serviço que começou violentamente ruim. Argumentos que ganham a cumplicidade do fato de estarmos nos tempos do DVD e do home theater, com som e imagem espetaculares, mil vezes melhores do que o que será visto nos telões. E não me venham com esse papo de que tudo isso é caro porque, em termos de custo/benefício, a aparelhagem sai muito mais em conta do que um ingresso de R$600, incrivelmente inflacionado pela dificuldade em adquiri-lo. "Ah, mas show é orgânico, visceral, nada substitui". Concordo, concordo e concordo. Mas recordo a pergunta: quem vai VER mesmo a Madonna em vez de uma formiga loira, vista sobre um palco longínquo?

Espero que esteja errado e torço pra que tudo dê certo nos shows. E torcer é tão necessário quanto sintomático, pois, quando é necessário apelar pro pensamento positivo em eventos que deveriam ser inquestionavelmente incríveis e irretocavelmente organizados é porque a coisa tá feia.

7 comentários:

Bruno Carvalho disse...

Carlão, fala isso porque não é fã de verdade da moça. Eu também não sou. Mas imagine que se ao invés de show da Madonna o evento fosse uma encenação da 1ª temporada de LOST com o elenco original.

Certamente nós estaríamos enfrentando esse mesmo perrengue para vê-los minúsculos em um palco e projetados num telão, sujeitos à bala perdida, o que for. Pagariamos o que for.

Pra alguns é mais um show, para outros é a chance de uma vida ao dizer: eu fui.

Carlos Alexandre Monteiro disse...

Bruno,
Como eu disse no texto: se for megaultrablaster fã da mulher, isso, de fato é inquestionável. ;)

abraço!

Gabriela Spinola disse...

Infelizmente, concordo com o Bruno, Carlão. Se fosse, pra mim, um show do U2 ou do Oasis (cujos anteriores eu não tive a oportunidade de assistir, snif), Eu mataria e morreria para vê-los no palco, ouvir o som da guitarra e cantar Beautiful Day/The Masterplan ao som AO VIVO da voz do Paul/Noel. Seria uma única oportunidade.

O próprio Liam Gallagher disse isso em uma entrevista: "para nossos fãs, não importa o aperto que eles passaram para conseguir os ingressos. Eles estão a poucos metros de uma das maiores bandas do mundo e, naquele momento, é a única coisa que importa na vida para eles."

Raul disse...

Sinto que ganhei na loteria. Sou a única pessoa que eu conheço que comprou ingressos pra pista VIP e recebeu e-mail de confirmação... com senha e tudo. Acho que sou privilegiado.
Concordo com tudo que você escreveu, Carlão. Sou um dos desafortunados que não pude assistir ao show do U2 por conta da desorganização da operadora, também fui esmagado na última noite do Rock in Rio 3, desfilei pelo sambódromo durante mais de 1 hora pra conseguir assistir ao show do Pearl Jam... mas chorei em 1993 quando não pude ver nem Madonna e nem Michael Jackson no Brasil e prometi a mim mesmo que quando voltassem eu estaria lá. 15 anos depois, fiz das tripas coração, passei 8h em frente ao computador. Pra mim, valeu a pena, por motivos óbvios, mas ainda assim, não sei se faria de novo.

Renata disse...

Concordo com você em gênero, número, grau, consoantes, advérbios e tudo mais que tiver direito!
Eu sou muito mais fã da Madonna dos tempos de "Like a Prayer" do que dessa de hoje em dia, mas confesso que fiquei super animada quando soube que ela viria ao Brasil... na verdade, minha animação se esvaiu pelo ralo no momento em que vi o tamanho da fila no Maracanã, 1 dia antes dos ingressos começarem a ser vendidos.

Você disse tudo, automaticamente me veio um flashback do RIR 3...um dia inesquecível, no pior sentido da palavra.

Óbvio, como todos disseram, pro fã de verdade vale tudo. Eu mesma passei alguns perrengues pra ver o Pearl Jam aqui e não me arrependo de absolutamente nada! Mas no caso da Madonna, vou ficar com a opção do sofá msm... até porque se duvidar vai passar na Globo e tudo...rs

Laila disse...

Pois é, pois é, pois é... desisti... ou vou de pista vip ou não vou, pra ver a madonna do tamanho do meu dedo mindinho toda imprenssada e pagando caro pra cacete prefiro ficar na comodidade de minha LCD e do meu querido sofá.

Felipe Vaz disse...

Curti o Tim festival ano passado na pista VIP (SP). Foi a melhor coisa que fiz, consegui um mega desconto e valeu muito ter saído de BH e gastado uma grana a mais. Porém a pista (não vip) não era la essas coisas, imagino no show da Madonna (muito maior). Pensei seriamente em ir de VIP pra sp, mas não consigo o ingresso por nada nesta vida. Desisti.

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