quarta-feira, 5 de novembro de 2008

ELEIÇÕES DOS EUA: UMA PORRADA NA DEMOCRACIA

Política, por aqui? É. É verdade que este blog é essencialmente sobre cultura pop - e é por isso mesmo que não dá para ignorar o pleito americano. Há tempos a disputa entre Barack Obama e John McCain extrapolou e muito os noticiários políticos, as filas de votação, os comícios e as campanhas. Está no YouTube, no Saturday Night Live, nas lojas de doces, nos quiosques de camisetas e até nos pacotes de camisinhas. Pode tentar, mas não dá para desviar do assunto não. E isso não é novidade.

Curioso por tudo o que é relacionado a internet, acho válido - mas não o máximo - que a coisa tenha chegado a esse nível de dominação. E digo sobretudo por ser alguém que tenta entender em reflexões solitárias ou em animados papos de bar o quanto a rede influenciou e influencia a disputa pelo poder no país mais poderoso do mundo. Curto os vídeos, as paródias, pude ver in loco a rendição dos americanos por Obama - hoje, sem dúvida, um popstar - e, agora que o dia 4 de novembro aconteceu, curti o voto virtual do Twitvote e achei espetacular a iniciativa do Twitter em dar aos internautas a chance de participar da cobertura das eleições. Mas...

Mas sempre existe um "mas". Na verdade, dois me incomodam. O primeiro é a saturação do assunto - e, seja do que for, o excesso sempre me tira do sério -; e o segundo... Ah, o segundo é muito mais grave. E foi agora que a gente pôde ver claramente o monstro que ele é. Estou falando da paspalhice que é o processo eleitoral americano.





As eleições presidenciais americanas são um festival de incompetência. São cédulas com erros grosseiros de impressão, cédulas com três páginas... São cédulas. Cédulas! Em 2008! Nos Estados Unidos!!!

E ao voto eletrônico, presente em quase todo canto do Brasil, eles não foram apresentados? Claro que sim, mas não têm nenhum prazer em conhecê-lo. O que era pra ser uma facilidade traz muitos problemas: quebras, falhas, comprovantes de voto emperrados nas impressoras. Desastres numerosos o suficiente para serem caracterizados como vexame.

Tem mais. Filas intermináveis para votar. Problemas com registros de eleitores. E uma apuração vergonhosamente morosa - por conta, claro, das já festejadas cédulas.

Mas - olha ele aí de novo - o pior... O pior de tudo é saber que, mesmo com toda o bombardeio de mídia, com o peso que é a escolha do presidente americano, essa decisão não é feita pelo voto direto popular. Os americanos saem de casa, driblam vários problemas e, ainda assim, ficam restritos a escolher o candidato que será votado pelos representantes do Colégio Eleitoral de seu estado. Putz!

Fica claro que, olhando de cima, o problema é a eleição em si, do jeito que foi concebida por lá. E esse jogo dos 2342345634 erros consegue esvaziar quase por completo o sentido de toda a badalação em torno do assunto, já que a escolha é indireta e, acima de tudo, passível de manipulações mil.

Como disse, é impossível desviar do assunto. E já que ele me acertou, quero dizer: não consigo acreditar em qualquer lisura da votação americana. Não posso crer em que os Estados Unidos não consigam fazer eleições dignas de um país decente, seja no formato ou no processo.

Como fenômeno cultural, tudo ali é admirável. Mas, infelizmente, na dureza dos fatos a realidade é outra: a escolha presidencial nos EUA não passa de uma tartaruga gorda, lerda e adorada por ser assim. Um mascote feioso e perfeito para aqueles que são terceiro mundo em se tratando de processo eleitoral, with so much pride, with so much love.

2 comentários:

João disse...

Não concordo. Aposto que eles não usam urnas eletronicas pois são facilmente violadas e muuuuuitas dão problemas. Mesmo a votação sendo em cedulas, ficaram sabendo do resultado no mesmo dia, portanto não prescisam trocar seus principios por uma tecnologia barata de paises sundesenvolvidos.

Anônimo disse...

*subdesenvolvidos

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